Planeta da Mel Lisboa
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Quando saiu do interior para a cidade grande em busca do sonho de se tornar uma bem-sucedida modelo, Gabriela, personagem de Mel Lisboa em “Desejos de Mulher”, já demonstrava que não tinha nada de inocente. Ambiciosa, a jovem não tem limites para conquistar seus objetivos. Nem mesmo quando está prestes a ser despejada pelas colegas de apartamento, a moça perde a pose. E mais: ainda consegue convencê-las a aceitar a presença do filho. A transformação na história da personagem agradou em cheio a atriz Mel Lisboa. “Fiquei bastante surpresa com a reviravolta porque na sinopse a Gabriela aparecia como uma menina virgem e agora tudo mudou”, explica.

As mudanças serviram para fortalecer ainda mais a diferença entre a atual Gabriela e a personagem-título da minissérie “Presença de Anita”, exibida no ano passado, que marcou a estréia de Mel na tevê. No início, as comparações eram inevitáveis. “A Anita tinha uma carga emocional muito forte, bem diferente da Gabi, uma adolescente típica”, acredita.

Para compor a personagem e melhor se ambientar com a rotina das modelos que vivem em meio a desfiles e sessões de fotos, Mel conversou com algumas veteranas na carreira. Além disso, a atriz fez aulas de passarela.

A empolgação de Mel Lisboa não se limita apenas aos novos rumos da personagem de “Desejos de Mulher”. A atriz se divide entre as aulas na Faculdade de Cinema na UFF, e a decoração do novo apartamento na Gávea, Zona Sul do Rio, onde mora sozinha. “Sempre fui bagunceira, mas agora quero ter tudo no lugar. Até minha mãe está orgulhosa de mim”, gaba-se com o típico entusiasmo adolescente.

Boca a boca
com Mel Lisboa

P- Quando você estreou em “Presença de Anita”, tudo era novidade. Como você se sente agora na novela das sete?
R - Fico preocupada em não ficar muito exagerada no vídeo porque faço muito gestos, falo com expressões. Mas o Dênis Carvalho é ótimo. Ele me dá dicas, é ágil. O problema que é tudo muito rápido. É ensaiar e gravar em seguida. Isso às vezes gera uma certa insegurança.

P - A estréia na minissérie foi um sucesso estrondoso. Você não teme ficar rotulada como a eterna Anita?
R - Não quero que ninguém esqueça o meu trabalho na minissérie. A Anita era uma personagem sensacional, mas agora é preciso desvencilhar. Na verdade, temia uma cobrança maior do público agora. As pessoas mais leigas analisam uma boa interpretação pelo drama. Mas, às vezes, a dificuldade está nas coisas mais simples. Andar normalmente, respirar, fazer um olhar é difícil na hora de gravar.

P - Você acha que a história da Gabriela retrata bem as dificuldades de modelos iniciantes?
R - A história da Gabriela é bastante singular. Ela teve sorte, pois assim que chegou já arrumou um pistolão que a fez ser logo contratada. Nem todas conseguem isso. No entanto, a chegada de um bebê dificulta muito. Acredito que conciliar viagens, desfiles com um filho seja bem complicado. A situação fica clara quando ela recebe uma proposta irrecusável de trabalho, mas não pode aceitar. Isso deve acontecer, e muito.

P - Você é capaz de identificar alguma semelhança entre você e a Gabriela?
R - Ela é bem diferente de mim no lado profissional, já que a Gabriela segue caminhos inversos ao meu. A índole também não é a mesma. Ela é muito abusada, no bom sentido. É a famosa cara de pau, mas sabe o que quer, batalha por seus objetivos. Acho que eu também sou assim.

P - Com a chegada do filho, você acredita que a Gabriela vai mudar o jeito de ser?
R - Ela irá medir melhor seus atos, ser menos inconseqüente. Porém é da natureza dela ser ambiciosa. Acho que a Gabriela não vai mudar isso. Sempre vai haver uma situação em que ela põe a carreira na frente de qualquer coisa. Mas acho que fica mais bacana quando a personagem que se mostra má também tenha seus problemas afetivos expostos.



A Gabriela, a modelo vinda do interior.
Depois virou balarina para sustentar o filho.
Gabi com seu filho Rafael.
Gabi beijando seu gato.